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11/07/2017

ARH em Revista: Entrevista – Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita ter “muitas razões para viver bem!”, porque “entusiasmo é uma opção individual”. Também considera que a “disciplina é a liberdade” que lhe permite

fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a “fazer tudo que possa compartilhar com os pais e que tenha orgulho de contar para os filhos”. A apresentação acima foi escrita pelo próprio Moacir. Ele fez questão que fosse assim, antes de dizer que é doutorando em Ciências Empresariais na Europa, tem mestrado em Gestão de Recursos Humanos pela UMinho (Portugal) e em Engenharia de Produção pela UFSC, fez especialização em Teoría del Pensamiento Complejo com Edgar Morín e Raul Motta.

Tem MBA em Marketing, é Bacharel em Secretariado Executivo e em Letras/Espanhol. Tem formação internacional em Coaching Executivo Organizacional reconhecido pela FIACE e pela ICC. Tem experiência profissional nas áreas Administrativa, Secretariado, Gestão de Recursos Humanos, Vendas e Planejamento Estratégico. Integrou a Seleção Brasileira de Remo de 2004 a 2008, e ainda hoje pratica o esporte como lazer. Foi professor universitário e atualmente trabalha como Coach, Palestrante e Escritor (entre seus livros está Olhe mais uma vez! Em cada situação novas oportunidades), além de fazer trabalhos voluntários em instituições que desenvolvem projetos de inclusão social. É com ele que estreamos a Seção Entrevista da ARH em Revista. Moacir estará em Caxias do Sul dia 17 de agosto com a palestra Prenda o Ladrão de sua Organização, a partir das 19h, no Bloco A da UCS. O evento lança oficialmente o ESARH 2018. Ele sentiu-se honrado com o convite para conceder a entrevista a seguir, na qual fala sobre o papel do Gestor de Recursos Humanos em um cenário de crise econômica, entre outros assuntos. Boa leitura!

ARH em Revista: Nesse mundo de grande velocidade e com a modernidade ocupando cada vez mais o nosso cotidiano, as pessoas estão tendo tempo para se reinventar e tomar suas próprias decisões?

Moacir Rauber: Entendo que se vive numa fase em que as pessoas têm buscado alternativas para tomar as rédeas da própria vida, independentemente da velocidade das mudanças. Trata-se de uma escolha. Com isso, elas assumem a sua responsabilidade individual dentro da coletividade. Nesse ambiente, trabalhar com qualidade é indispensável. E nesse ponto ocorre a reinvenção do indivíduo que tem tomado consciência de que se faz parte de um grupamento humano que se expressa por meio da coletividade. E o gestor de recursos humanos está no centro desse processo nas organizações ao permitir a evolução das pessoas, sabendo que o individual inspira o coletivo e que o coletivo influencia o individual. Qual o melhor fluxo? A consciência de fazer o que se quer fazer porque se tem um propósito em mente determinará o fluxo para que você seja aquilo que você quiser ser porque é isso que você escolheu ser.

ARH em Revista: Diante de tantas injustiças sociais e roubalheiras que estamos vendo serem reveladas a cada dia, de onde tirar forças para a motivação e vontade de seguir adiante?

Moacir: Acredito que o mundo não é justo, porém nada impede que eu o seja. Atuar efetivamente no ambiente em que eu tenho autonomia é atuar em mim mesmo identificando e prendendo os meus ladrões interiores ao minimizar as minhas autos sabotagens. Mais uma vez o gestor de recursos humanos ocupa um papel destacado nesse cenário. É o desafio de fazer o melhor, ser justo e ser fonte de inspiração individual para que se tenha um coletivo mais equilibrado. Creio que essa autonomia de ser justo pode ser a fonte da força e da motivação para seguir adiante.

ARH em Revista : No Brasil (e no mundo também?) será preciso reeducar as pessoas para que se tornem bem sucedidas sem passar os outros para trás? Como recuperar a ética e o respeito na sociedade profissional?

Moacir: O momento atual revela a inexistência de escrúpulos na busca daquilo que se entende como ser bem sucedido. As pessoas desviam e roubam. É uma realidade que está estampada em nossas caras. Porém, cabe perguntar: afinal, quem é o inescrupuloso ladrão? Creio que cada um deveria responder a essa pergunta para saber qual é o próprio grau de contribuição para a existência de um coletivo que não agrada. No livro Ladrão de Si Mesmo indago: será o ladrão somente aquele que desvia recursos públicos, que rouba da empresa, que afana os pertences do vizinho e que comete toda a sorte de crimes? Com certeza que este é o criminoso clássico. Para evitar que se chegue nesse padrão de comportamento abjeto, acredito sim que se deva repensar a educação e fazer valer os valores nos quais nos pautamos como organizações sociais, familiares e empresariais. Não desempenhar o seu papel com a excelência que a própria capacidade permite é um roubo deliberado com reflexos em si e nos outros. Cabe aos gestores de recursos humanos inspirar a que cada componente

entregue o seu melhor para ser bem sucedido. Com essa consciência, acredito que gradativamente podemos nos expressar como uma sociedade de pessoas bem sucedidas.

ARH em Revista: O papel do gestor de recursos humanos mudou muito nos últimos anos em termos de responsabilidade? Sabemos que muitos desses profissionais foram atingidos inclusive por causa da crise e do número de demissões decorrente dela? Como dar a volta por cima nesse sentido?

Moacir: Sim, é verdade. Mudaram as responsabilidades e o cenário econômico não foi positivo. Na conjuntura que afeta diretamente o cenário econômico vejo que devemos cumprir com as nossas obrigações cidadãs. Já com relação às responsabilidades do gestor de recursos humanos há algo que mudou para melhor: a Gestão de Recursos Humanos está caminhando para o centro do processo organizacional. Pode parecer uma visão otimista, mas basta pensar que “não existe nada fora da natureza que não seja feito pelas pessoas e para as pessoas”. Existem empresas sem pessoas? Você conhece uma família sem pessoas? Como seria a sociedade sem pessoas? Para que criar produtos sem as pessoas? Nada tem sentido sem as pessoas! Desse modo, sempre me pergunto: por que, afinal, a gestão de recursos humanos ainda não está no centro decisório de cada organização? Levar a GRH até o centro decisório é o desafio da nossa área, assim como é o desafio de cada pessoa que tenha consciência de que a sua individualidade pode inspirar a coletividade.

ARH em Revista: O tema da próxima edição do ESARH, em 2018, será “Inspirar Pessoas para Potencializar o  Coletivo”. Como você interpreta esse mote. Como

cumprir essa proposta?

Moacir: Aproveito e pergunto: que mundo você quer respirar? Depende do mundo que você inspirar! Por isso vejo que a proposta do ESARH 2018 é sensacional! Ela leva as pessoas a assumirem a sua responsabilidade no processo da coletividade. Trata-se de um convite para que cada um olhe para dentro de si mesmo, prenda os seus ladrões para inspirar pessoas e potencializar o coletivo: inspire e inspire-se para respirar e inspirar. Olhe para si mesmo, sinta e entenda o que realmente o inspira para poder inspirar os outros. O que você inspira?

ARH em Revista : Qual o seu recado aos profissionais de Recursos Humanos?

Moacir: Você sabe com quem está falando? É uma pergunta que nos leva a acreditar que se está diante de uma suposta autoridade querendo sobrevalorizar a sua importância ou frente a alguém que quer desvalorizar a nossa importância por sermos um ser minúsculo num universo infinito. Porém, o que eu gostaria de destacar é que os gestores de recursos humanos deveriam se fazer essa pergunta sempre que estiverem diante de qualquer outro ser humano. E isso acontece todo o dia, não é? Pergunte-se: será que eu sei com quem estou falando? A partir daí se lembre de que você está falando com um ser humano único e singular no universo e que o universo somente é o que é porque este Ser Humano com quem você está falando existe. A posição hierárquica que ele ocupa? A condição financeira que ele desfruta? Isso pouco importa. O que realmente conta é que você está diante de uma pessoa que é o centro do seu universo. Não há nada mais importante para ela do que ela mesma, assim como você o é para você. Entender isso em todos os níveis nos levará a um mundo em que o respeito, a aprendizagem e a evolução humana passarão a trilhar um caminho inspiracional rumo a potencializar uma coletividade equilibrada.

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