Notícias

21/12/2017

Conteúdo ARH: Percepção da Justiça sobre avaliações de desempenho

O projeto “Percepção de justiça sobre avaliação de desempenho e sua relação com o
comprometimento organizacional” rendeu ao seu autor, Ademor Fábio Basso Júnior, o prêmio de Melhor Projeto Acadêmico na 25ª edição do Prêmio Destaques do Ano em RH. O acadêmico do Mestrado em Administração da UCS realizou sua pesquisa junto
a uma empresa de transporte coletivo de Caxias do Sul com mais de 1,4 mil funcionários, com o objetivo de avaliar a percepção de justiça organizacional sobre
a avaliação de desempenho e verificar sua relação com o comprometimento organizacional. Atendendo a um pedido da ARH em Revista, Ademor resumiu seu trabalho no artigo abaixo.

“A motivação para a realização dessa pesquisa é o meu entendimento sobre a importância da ferramenta de avaliação de desempenho para o desenvolvimento pessoal e profissional de cada um. Quando eu concluí, em 2015, o meu MBA em Gestão de Pessoas, Competências e Coaching, fiz entrevistas com cerca de 40 gestores, buscando entender como eles enxergam essa ferramenta na gestão de pessoas. E agora em
2017, na conclusão do mestrado, fui buscar a percepção dos avaliados, para dessa forma fechar um ciclo de pesquisa e entendimento sobre esse tema na nossa realidade cultural, aplicando uma temática inédita em pesquisas organizacionais no Estado do Rio Grande do Sul. O objetivo da pesquisa foi identificar a percepção de justiça sobre a avaliação de desempenho e a sua relação com o comprometimento organizacional.

Para a aplicação da pesquisa foi analisado o modelo de avaliação de desempenho utilizado pela organização, visando a sua adequação à pesquisa; mensurado a percepção de justiça dos profissionais referente à avaliação de desempenho; identificado o nível de comprometimento organizacional dos empregados e analisado o nível de percepção de
justiça referente à avaliação de desempenho e a sua relação com o comprometimento organizacional.

Como principais achados e resultados na realização dessa pesquisa, podemos separar
os ganhos acadêmicos e as implicações práticas que devem ser observadas pelas organizações na realização da avaliação de desempenho. Para o meio acadêmico, um dos principais resultados foi a possibilidade de aplicar e validar para o contexto brasileiro a ferramenta de análise da percepção de justiça sobre a avaliação de desempenho elaborada por Sotomayor, proporcionando dessa forma, um acréscimo ao desenvolvimento teórico da percepção de justiça organizacional, achando como resultado que a percepção de justiça organizacional sobre a avaliação de desempenho é um antecedente do comprometimento organizacional, ou seja, quanto maior a percepção de justiça do avaliado, maior será o seu comprometimento organizacional. Também, uma contribuição importante dessa pesquisa foi a sua realização em um ambiente organizacional, pois, a maior parte das pesquisas de justiça organizacional
são laboratoriais ou utilizam amostras de estudantes e docentes universitários.

Na prática empresarial, a empresa que proporcionou o espaço para a realização dessa
pesquisa recebeu os resultados estratificados por gênero, idade, tempo de serviço, nível de instrução e setor, material esse que possibilita uma análise completa do seu processo de avaliação de desempenho, bem como informações para realizar o aprimoramento dessa prática no seu ambiente organizacional.

Também vale destacar que algumas dicas oriundas dessa pesquisa podem ser colocadas
em prática pela área de gestão de pessoas das organizações no desenvolvimento dessa prática. Por exemplo, evitar as principais falhas da avaliação de desempenho, como: os padrões de avaliação de desempenho não são claros;a inexistência de objetivos pré-definidos;os avaliadores distorcem e manipulam os resultados das avaliações; a falta de
preparo e formação dos gestores que conduzem a avaliação;a dificuldade de operacionalizar o sistema de avaliação;a avaliação é vista como algo que não é desejável, representando uma ruptura nas relações trabalhistas;a avaliação de desempenho não segue a periodicidade mínima anual;pouca participação dos empregados na auto-avaliação e os avaliados não percebem como um processo justo e igual para todos
os indivíduos.

Assim, no contexto de gestão pessoas, este estudo contribuiu para evidenciar que os profissionais possuem sensibilidade às diferentes dimensões da percepção de justiça sobre a avaliação de desempenho e que essas percepções afetam o seu comprometimento organizacional. Dessa forma, os gestores devem ter atenção quando realizarem a avaliação de desempenho de seus subordinados pois, de acordo com essa pesquisa, a utilização de práticas organizacionais que promovam o tratamento justo
dos empregados pode possibilitar o aumento do seu comprometimento organizacional.”

Compartilhe: