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25/04/2018

“A gestão de pessoas é uma ciência”, por Eugênio Mussak palestrante do ESARH 2018

O professor fala sobre “Inspirar Pessoas para Potencializar o Coletivo”, tema central do ESARH 2018, que ocorre em maio, em Gramado

A cidade de Gramado (RS) recebe, entre 14 e 16 de maio, o Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos 2018 (ESARH), um dos maiores eventos da América Latina voltado a profissionais de Recursos Humanos e de outros segmentos. A realização é da ARH Serrana (Associação Serrana de Recursos Humanos), com sede em Caxias do Sul (RS).

Entre os palestrantes do ESARH 2018 está Eugênio Mussak, referência em educação coorporativa com mais de mil palestras proferidas no Brasil e exterior. Mussak é membro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e participa do comitê de organização do Congresso Brasileiro de Gestão de Pessoas, do qual já foi coordenador geral.

Na entrevista abaixo, o palestrante aborda o tema do ESARH 2018, “Inspirar Pessoas para Potencializar o Coletivo”, e fala sobre o papel dos gestores e formação de equipes.

O ESARH é considerado um dos maiores encontros voltados a profissionais de Recursos Humanos da América Latina. Como o senhor interpreta o tema desse ano, “Inspirar Pessoas para Potencializar o Coletivo”?

Eugênio Mussak: É um tema contemporâneo, porque nós estamos em um momento da história do país e do mundo no qual percebemos como as pessoas estão divididas. Como exemplo posso citar o recente julgamento do Lula, um momento político e social da maior relevância que provoca uma profunda divisão da sociedade, com caravanas e campanhas contra e a favor. Mesma divisão se percebe diante das atitudes e da verborragia do presidente norte-americano Donald Trump, há muitas pessoas a favor dele mesmo que ele declare guerra. Essa divisão acaba sendo um pouco irracional, porque não se ouve o outro lado, não queremos saber se o outro lado tem razão ou não. Em princípio a razão está só com você. Isso é sectarismo, expressão que tem origem na palavra “seita”: o que não é de sua seita é errado.

Então inspirar o coletivo é uma tarefa árdua...?

Mussak: É verdade. Dentro de uma empresa, dentro de uma família, encontram-se divisões sectárias. Se você está pensando em um bem comum, em um objetivo financeiro e social de uma empresa, por exemplo, é preciso ter as pessoas unidas. Então, uma discussão muito interessante hoje é como as lideranças conseguem unir as pessoas. Nós estamos carentes de líderes que consigam isso. Nosso último grande exemplo nesse sentido foi Nelson Mandela que, ao acabar com o domínio dos brancos sobre os negros não proclamou uma revolta, a opressão, e sim a união, a igualdade. Essa é uma atitude de liderança, potencializar o talento das pessoas pelo bem comum, diminuir as diferenças. É uma discussão interessantíssima. Precisamos urgentemente de mais tolerância, mas qual a competência das lideranças para isso? Não podemos mais ser tolerantes com a corrupção e a incompetência.

Quais os melhores métodos ou ferramentas que os gestores de RH devem colocar em prática para “Inspirar pessoas para potencializar o coletivo”?

Mussak: Primeiro temos que diferenciar gestor de RH de gestor de pessoas. O gestor de RH é um profissional de recursos humanos que tem como finalidade consubstanciar os gestores das empresas para que façam seus planos de pessoas. Acho que existem três instâncias que tanto um quanto o outro devem prestar a atenção: primeiro a seleção, o desenvolvimento, a inspiração/motivação. Ao se formar uma equipe é preciso escolher as pessoas certas para os lugares certos, e isso significa estar com pessoas que percebam que existe um objetivo comum. A segunda instância é que é preciso competências complementares. Não posso colocar na equipe pessoas que fazem a mesma coisa. É preciso uma equipe com objetivo comum fazendo cada um a sua parte, tendo respeito pelas competências do outro. Em terceiro lugar, tem que haver o respeito aos mesmos valores, ter uma cultura formada pelo jeito de ser, pela maneira que nos comportamos, respeito aos mesmos valores. Não se pode abrir mão da ética ao acreditarmos em um objetivo maior. Tudo isso começa na seleção, na escolha das pessoas. Muitas vezes temos uma pessoa sem aquele desempenho que você gostaria que ela tivesse, mas percebe que ela tem potencial, capacidade intelectual, predisposição em aprender. Selecionadas essas pessoas, elas vão precisar de um líder que as desenvolva, e sob aspecto de inspirar, de manter a energia da equipe alta, é que entra o gestor de pessoas.

Um dos blocos temáticos do ESARH 2018 trata do engajamento em tempos de volatilidade. Como se sentir engajado a uma profissão/emprego/causa se tudo se transforma com muita velocidade. Qual a fórmula pra isso?

Mussak: Não existe uma fórmula mágica. Engajar as pessoas não se aprende como uma fórmula da bolo. O que temos de lembrar é de onde vem a expressão volatilidade: algo que dura pouco. As certezas de hoje são muito menores, as coisas mudam muito rápido com as novas tecnologias e o surgimento de novos ofícios e profissões, o mercado está extremamente exigente, o consumidor está muito mais informado. Uma empresa nos tempos atuais não pode ser gerida do modo como era quando as coisas mudavam mais lentamente. O concorrente era previsível, estava do outro lado da rua, hoje está do outro lado do mundo. A gestão é uma ciência, estamos falando de técnicas, tecnologia, processos, modelos de negócios e, claro, de pessoas. Antigamente, pessoas se engajavam pelo nome da empresa, hoje é pelo projeto que ela oferece, projetos que fazem mais sentido para elas.

Crédito da foto em anexo: Assessoria de Imprensa Eugênio Mussak

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