O debate sobre remuneração evoluiu de forma significativa. Se antes a discussão girava em torno do salário mínimo legal e da competitividade de mercado, hoje as organizações mais maduras avançam para um novo patamar: o salário digno.
O conceito, que vem ganhando destaque em agendas de ESG, gestão de pessoas e sustentabilidade corporativa, parte de uma pergunta simples, porém profunda: quanto uma pessoa precisa ganhar para viver com dignidade, segurança e bem-estar?
Empresas como a Natura, referência global em práticas sustentáveis, já incorporaram o salário digno como parte estratégica da sua política de pessoas, indo além da conformidade legal e assumindo um compromisso real com a qualidade de vida dos colaboradores.
Salário digno: por que esse conceito deixou de ser tendência e passou a ser estratégia nas empresas
Durante muito tempo, falar sobre remuneração nas empresas esteve restrito ao cumprimento do salário mínimo legal e à competitividade de mercado. No entanto, esse debate evoluiu. Em um cenário de transformação social, pressão por práticas ESG consistentes e escassez de talentos, cresce o protagonismo de um conceito que vem ganhando força no Brasil e no mundo: o salário digno.
Mais do que uma discussão salarial, o salário digno representa uma mudança de mentalidade. Ele convida empresas a refletirem sobre qual é a remuneração necessária para que uma pessoa viva com dignidade, considerando o custo real de vida, o contexto social e o bem-estar dos colaboradores. Não por acaso, organizações de referência já incorporaram esse tema à sua estratégia de remuneração, sustentabilidade e gestão de pessoas.
O que é salário digno e por que ele vai além do salário mínimo
Para entender o que é salário digno, é fundamental diferenciá-lo do salário mínimo. Enquanto o salário mínimo é definido por lei e tem como base critérios macroeconômicos, o salário digno, também conhecido como living wage, considera se a remuneração é suficiente para garantir condições reais de vida.
Na prática, o salário digno leva em conta fatores como:
- custo de moradia
- alimentação adequada
- transporte
- saúde
- educação
- lazer básico
- reserva financeira mínima para imprevistos
Por isso, a diferença entre salário mínimo x salário digno está no propósito. O salário mínimo atende à legislação; o salário digno atende às necessidades humanas. Essa distinção tem sido cada vez mais relevante em um contexto de aumento do custo de vida e de maior conscientização sobre qualidade de vida no trabalho.
Por que o salário digno entrou na agenda estratégica das empresas
A pergunta “por que empresas estão falando de salário digno?” tem uma resposta clara: porque o modelo tradicional de remuneração já não responde, sozinho, aos desafios atuais do mercado de trabalho.
Diversos fatores explicam essa mudança:
- maior dificuldade de retenção de talentos e salário desalinhado às expectativas
- aumento da rotatividade e dos custos de reposição
- pressão de investidores e consumidores por práticas responsáveis
- fortalecimento das agendas de diversidade, equidade e inclusão
- avanço das pautas de saúde mental e bem-estar
Estudos e análises de mercado indicam que salário digno nas empresas está diretamente relacionado à construção de relações de trabalho mais sustentáveis. Não se trata apenas de pagar mais, mas de pagar melhor, com critério, equidade e visão de longo prazo.
Salário digno, ESG e sustentabilidade corporativa
O conceito de salário digno se conecta de forma direta aos pilares do ESG. No eixo Social, ele se destaca como uma das práticas mais relevantes para promover equidade, reduzir desigualdades e fortalecer o bem-estar dos colaboradores.
Quando se pergunta se salário digno faz parte do ESG, a resposta é sim. Ele impacta:
- S (Social): justiça salarial, qualidade de vida e inclusão
- G (Governança): políticas claras, transparência e critérios objetivos
- E (Ambiental): de forma indireta, ao sustentar relações de trabalho mais responsáveis e duradouras
Empresas que integram o salário digno à sua estratégia demonstram coerência entre discurso e prática, fortalecendo sua reputação institucional e sua credibilidade junto aos stakeholders.
O caso Natura: como empresas estão aplicando o salário digno na prática
No Brasil, um dos cases mais citados quando o assunto é salário digno é o da Natura. A companhia desenvolveu uma metodologia própria para calcular o valor mínimo necessário para que seus colaboradores possam viver com dignidade, considerando variáveis como região, custo de vida e necessidades essenciais.
A política de equidade salarial da Natura vai além da conformidade legal. Ela está conectada à cultura, ao propósito e à estratégia de sustentabilidade da empresa. O resultado é um modelo de política de remuneração justa, alinhado ao negócio e às expectativas da sociedade.
Esse exemplo mostra que o salário digno não é uma abstração teórica, mas uma prática possível quando há intenção estratégica, dados e governança.
Salário digno é custo ou investimento estratégico?
Uma das principais dúvidas das lideranças é se o salário digno representa apenas aumento de custo. A experiência de empresas que avançaram nessa agenda mostra o contrário.
Quando bem estruturado, o salário digno contribui para:
- redução da rotatividade
- diminuição de custos com recrutamento e seleção
- aumento do engajamento
- maior produtividade
- fortalecimento da marca empregadora
Ou seja, o salário digno se conecta diretamente à remuneração estratégica. Ele deixa de ser um centro de custo e passa a ser um investimento em sustentabilidade organizacional, pessoas e resultados.
O debate sobre salário digno já impacta diretamente a estratégia de remuneração, retenção de talentos e sustentabilidade das empresas.
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