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31/03/2020

Jorge Trevisol: agora é preciso estar em casa

Agora, é preciso “estar em casa”. Estar dentro de si mesmo, dentro do berço de nossos afetos familiares e dentro do nosso grande propósito de vida.

Gente amada do Esarh. Estou aqui para vos dizer que estamos todos juntos nesses dias, reunidos em torno de uma mesma causa, ainda que, exigentemente, estejamos cada um em suas casas. É tempo turbulento, mesmo que não saibamos bem para onde vamos; tempo misterioso, por escapar de nosso controle; tempo de espera, sem saber até quando. Mas é tempo de esperança, pois daqui sairemos outros seres humanos. Seremos outras consciências e teremos, consequentemente, outras prioridades. Mas isso é só para depois que saímos dessa reclusão necessária. Pois, agora, é preciso “estar em casa”. Estar dentro de si mesmo, dentro do berço de nossos afetos familiares e dentro do nosso grande propósito de vida. O que significa isso? Período de incubação. Isto é, tempo de deixar vir à tona diversas e diferentes experiências, e ficando atenta a elas. Pois elas nos falarão, provavelmente, dizendo aquilo que nunca estivemos em grau de consciência capaz de ouvir. Permitir diferentes sentimentos que possam acontecer dentro de nós; perceber, sem julgamento, diferentes pensamentos, mesmo que contraditórios, sem a exigência de ter que resolver tais dilemas. Enfim, esse é um tempo único, aonde podem caber todas as coisas no mesmo lugar de nossa consciência, sem que se tenha de dar uma direção ou uma resolução. Depois sim, a seu tempo faremos isso. Mas não nos preocupemos ainda com isso, pois, se passarmos bem esse tempo de incubação, serão naturais os próximos passos, aqueles da grande intuição, da elaboração e da decisão de como seguiremos. Porém, esse tempo de espera ou de incubação não pode ser de rigidez nem de festa. É um tempo de busca de sentido e ao mesmo tempo de entrega confiante ao Grande Universo que ilumina, organiza e orienta todas as coisas. Então, na prática o que devemos fazer? Conviver com quem estamos juntos, ou, se sozinhos, conviver conosco de maneira consciente. Perceber o que sentimos e como reagimos. Observar, por exemplo, nossas mágoas não desmanchadas, nossa raiva não manifestada, nossos medos não olhados de frente, nossa necessidade de controlar tudo, nossa tendência de sempre fazer as coisas a nosso favor. Mas também observar nossa alegria, nossa simplicidade e nossa capacidade de adaptação às circunstâncias, nosso amor e compaixão para com aqueles que padecem. É também um tempo de meditar, silenciar e se auto-observar continuamente, tornando esse tempo propício para nosso autoconhecimento. É também tempo de se descontrair, rir da situação, fazer comida boa, tomar um vinho, descansar, namorar e se divertir, claro, tudo sobriamente. Enfim, não deixem passar esse tempo sem treinar sua capacidade de alargar sua presença para além do corpo físico, além das paredes, além do seu continente, indo visitar com sua consciência intencional toda a humanidade. Que onde houver um ser humano estejamos conscientes de que lá estou eu também, pois todos somos um, toda a humanidade está dentro de meu ser humano e todo ser humano também abriga uma parte de mim no contexto dessa grande e única consciência humana da qual faz parte toda a humanidade. Fiquemos bem presentes onde estamos nesses dias e assim estaremos presentes em todas as etapas que seguirão depois desse tempo de reclusão. Então não seremos mais os mesmos!

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