Blog

29/09/2020

Entrevista: Gabriela Oliveira - "Diversidade e Inclusão devem fazer parte da Cultura Organizacional"

O ano de 2020 já garantiu seu lugar na história como um exemplo da ruptura de modelos sociais, novos tempos, novos aprendizados. Também mostrou uma face da humanidade que precisa evoluir muito ainda em relação a convívio social e respeito. Junto da pandemia do Coronavírus vieram sinais de alerta para questões como racismo e preconceito.

Mulher negra, escritora, designer, consultora, professora e empreendedora nas áreas das indústrias criativas e educação há 10 anos, Gabriela Oliveira tem uma percepção muito enfática das questões sociais nas quais precisamos avançar, seja na área dos Recursos Humanos, seja em casa, no mercado, na academia. Graduada em design e concluindo MBA em Gerenciamento Estratégico de Projetos, Gabriela é fundadora e diretora de Experiências Digitais da ECC Hub, escola de inovação, criatividade e negócios, além de TEDx Speaker com tema envolvendo vivência como mulher negra e empreendedora.
Recentemente, lançou o livro Uma atitude por dia - por um mundo com menos racismo. É com essa vivência e currículo que atualmente ajuda pessoas e empresas a ampliarem suas perspectivas por meio do design, do marketing digital e do empreendedorismo. Sem preconceito. É com ela a entrevista a seguir.

Revista Digital ARH: COMO AS EMPRESAS ESTÃO LIDANDO COM QUESTÕES DE RACISMO, HOMOFOBIA E DEMAIS RAMIFICAÇÕES DE PRECONCEITO NESTE MOMENTO QUE EXIGE AJUDA SOCIAL MÚTUA?
Gabriela Oliveira: As empresas têm sido chamadas para responsabilidade em relação a esses temas. Algumas já atuam com programas de diversidade, criando comitês de afinidades voltados para pessoas negras, mulheres, PCDs e LGBTQIA+, trabalhando de forma intencional para que estas pessoas possam se tornar líderes das organizações. As empresas que estão esperando que caia uma solução no colo para que a sociedade não seja mais machista, racista e homofóbica perdem tanto economicamente quanto na oportunidade de se tornarem uma organização mais justa.

Revista Digital ARH: QUAL O TIPO DE PRECONCEITO MAIS VISÍVEL NAS EMPRESAS (RACIAL, DE CLASSE, SEXUAL...)?
Gabriela: É importante que a gente denote o nome certo para o que ocorre nas empresas. O que temos hoje vai além do preconceito. Preconceito é quando alguém coloca qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico. O que ocorre nas organizações é a existência de estruturas sociais que privilegiam uma determinada raça, gênero ou orientação sexual. Diante disso, temos o preconceito na falta de acolhimento de pessoas trans no ambiente de trabalho, na falta de incentivo para que mulheres se tornem gestoras depois que se tornam mães, ou ainda no recrutamento de pessoas, que hoje privilegia homens brancos.

Revista Digital ARH: HÁ ALGUM PERFIL DE EMPRESA (SEGMENTO/SETOR) QUE DEMONSTRE MAIS PRECONCEITO NESSE SENTIDO?
Gabriela: Certamente, todos os segmentos precisam revisar suas práticas de diversidade e inclusão. Discriminação e preconceito são complexos e cada segmento evidencia mais um ou outro a partir do momento em que as pessoas não estão, de fato, incluídas nas organizações.

Revista Digital ARH: NÃO BASTA APENAS SER CONTRA O PRECONCEITO, É PRECISO QUE AS EMPRESAS FAÇAM PARTE DA EDUCAÇÃO CIDADÃ COM AÇÕES EFETIVAS. QUE TIPOS DE AÇÕES PODEM E DEVEM SER FEITAS?
Gabriela: Antes de criar ações é importante que as empresas façam um bom diagnóstico, entendendo quantas pessoas negras, mulheres, LGBTQIA+ e PCDs estão na operação e nas lideranças. Enxergando isso, é importante que se construam ações af irmativas incluindo as pessoas para criar em conjunto, e que as mesmas sejam mesmo efetivas. Muitas ações partem de contratar e incluir todos os grupos de pessoas, mas é importante que se faça também um trabalho de envolver quem já está no time e que se as reconheça para que o trabalho seja genuíno. E é importante que a empresa entenda que esta ação é contínua e permanente. Trazer cases positivos e inspiradores para mostrar que é possível ter políticas sociais educativas dentro das organizações. A empresa XP, por exemplo, recentemente assumiu o compromisso de aumentar o quadro de colaboradoras da empresa de 22% para 50% em todos os níveis hierárquicos até 2025, com implantação, inclusive, de medidas práticas como a extensão das licenças maternidade e paternidade. O Google está com uma série de ações efetivas para pessoas negras, contando com programas de educação e também de investimentos para startups de founders negros.

Compartilhe: