A educação financeira deixou de ser um assunto restrito ao universo pessoal e passou a ocupar espaço estratégico dentro das organizações. Quando entendemos que “educação financeira é o processo de entender como o dinheiro funciona no mundo: como alguém ganha, gerencia, investe e gasta”, percebemos que esse conhecimento impacta diretamente o comportamento, a produtividade e o bem-estar dos colaboradores.
Os dados apresentados no Grupo de Estudos ARH Serrana mostram um cenário que exige atenção: o endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior nível da série histórica, ultrapassando 80%. No Rio Grande do Sul, esse número chega a 85%. São números que revelam que o problema financeiro deixou de ser individual e passou a afetar diretamente o ambiente corporativo.
Além disso, práticas como apostas online, saque-aniversário do FGTS e empréstimos consignados têm agravado ainda mais o cenário. As bets, por exemplo, já são apontadas como o maior fator de endividamento das famílias brasileiras, drenando renda mensal e ampliando a dependência de crédito. O consignado, embora ofereça juros menores, muitas vezes se transforma em uma bola de neve: contratos simultâneos, parcelas longas e a falsa sensação de estar fazendo um bom empréstimo com parcelas baixas, porém no fim, quando somadas as parcelas o impacto real é bem diferente do que é apontado como “promessa”.
Esse contexto traz impactos significativos para as empresas. Colaboradores endividados tendem a apresentar queda de produtividade, maior absenteísmo, estresse, ansiedade e até depressão. A rotatividade aumenta, o clima organizacional se fragiliza e o RH passa a lidar com ações para reduzir o turnover, recrutamento para reposição de vagas, além de ações para manter o clima organizacional, além de procurar acelerar a curva de aprendizado dos novos colaboradores.
O encontro também trouxe uma reflexão essencial sobre remuneração total. Muitos colaboradores enxergam apenas o salário líquido, ignorando o investimento que a empresa faz em benefícios. Sem visibilidade, esse valor passa despercebido — e a percepção de remuneração fica distorcida, como dica, foi trazer os números que a empresa investe na folha de pagamento, para que o colaborador tenha ciência e possa fazer análise do quanto ele realmente ganha e entenda do que é composta a sua remuneração
Por isso, o papel do RH é fundamental. Embora não seja possível controlar as decisões financeiras dos colaboradores, o setor pode ser uma fonte de informação, orientação e acolhimento. Pequenas ações de conscientização, materiais educativos, rodas de conversa e acompanhamento de indicadores podem prevenir grandes problemas. Como reforçado no encontro, “educação financeira é oferecer conhecimento para que cada pessoa faça escolhas mais conscientes e responsáveis.”
O encontro do Grupo de Estudos ARH Serrana reforça que o endividamento é um tema que atravessa a vida pessoal, familiar e profissional dos colaboradores. Ignorar esse cenário significa perder produtividade, aumentar custos e comprometer o clima organizacional.
Ao assumir protagonismo na educação financeira, o RH contribui para ambientes mais saudáveis, sustentáveis e humanizados — onde colaboradores têm mais clareza, autonomia e bem-estar.
Educação financeira é, acima de tudo, uma ferramenta de cuidado
Para ajudar os RHs e organizações, o grupo deixou um presente, que esse seja o primeiro passo para ajudar dar consciência sobre o tema.
Autoras: Débora Ribeiro Pelinson , Larissa Gonzatti , Mariana Pereira, Cassandra Terres da Silva , Mayra menegotto anversa e Bruna Lisboa Palhano.





