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20/12/2018

Medicina Ocupacional: empresas mais saudáveis

Crédito Bruce Mars - Pexels

Um ambiente de trabalho agradável e seguro é um dos pontos mais importantes para a conquista de uma equipe engajada e, consequentemente, de uma efetiva produção. Para que isso ocorra, é necessário que o empregador leve em consideração a saúde do seu funcionário, e é justamente nesse ponto em que a Medicina do Trabalho surge para garantir a melhoria das condições laborais, evitando acidentes ou doenças relacionadas às atividades profissionais.

A Medicina Ocupacional é uma área médica especializada na relação entre o ambiente de trabalho e a saúde dos colaboradores de uma empresa ou organização. Também conhecida como Medicina do Trabalho, atua com foco na prevenção e tratamento de doenças ou ainda ferimentos decorrentes de acidentes de trabalho. A atuação específica de médicos, enfermeiros e de outras profissões no campo da Saúde Ocupacional no Brasil cresceu em média 9,2% por ano entre 2004 e 2014. “A maior requisição da área de Medicina Ocupacional nos últimos anos decorre principalmente da necessidade de conhecimento e cumprimento às legislações vigentes. A proximidade com o ambiente de trabalho e com os próprios colaboradores permite uma visão ampla do cenário e das condições de saúde que estão sendo prevenidas ou tratadas, sendo positivo para ambos os lados”, explica a doutora Fabíola Andressa Madalozzo da Costa, médica coordenadora dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) do Círculo, em Caxias do Sul.

Ela observa que a empresa, ao evitar os riscos e garantir a saúde física, mental e social do funcionário, terá uma equipe mais ativa e motivada, porque, ao se sentir seguro e capacitado para as emergências, o colaborador tem prazer em exercer sua função, produzindo mais e melhor. “Como conseqüência, teremos profissionais saudáveis e motivados, gerando menor absenteísmo e maior produtividade. Com a qualidade de vida no trabalho, seja pela saúde como pela segurança, o empregador evita custos com afastamentos e ações judiciais”, destaca Dra. Fabíola.

Atenção à saúde mental

Os temas relacionados à saúde mental no trabalho têm crescido significativamente nos últimos anos. No relatório Adoecimento mental e trabalho: a concessão de benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais entre 2012 a 2016, publicado em abril de 2017, o Ministério da Saúde coloca essas enfermidades como a 3ª maior causa de afastamento do trabalho no país, o que demonstra a importância do tema.

A prevenção requer o envolvimento de diversas áreas: liderança, recursos humanos, psicologia organizacional e saúde. Manter uma relação de confiança dentro da equipe, um ambiente receptivo à escuta e intervenção precoce quando detectados quadros potencialmente patológicos são as principais ferramentas para prevenção do desenvolvimento e agravamento das patologias psiquiátricas.

“O tratamento medicamentoso, quando corretamente indicado, e o suporte psicoterápico costumam ter resultados bastante satisfatórios. É importante ainda termos em mente que nem todo caso de tristeza ou frustração é patológico, podendo apenas ser uma reação natural a determinadas situações, sendo estes os quadros mais freqüentes nos atendimentos diários”, ensina Dra. Fabíola. Ela ressalta que a atribuição do adoecimento mental ao trabalho é complexa e envolve a interação dos fatores estressores do meio com a vulnerabilidade individual. “Desta forma, é fundamental que durante a avaliação médica possamos identificar se a patologia psiquiátrica apresentada está relacionada ao trabalho, às questões de ordem pessoais ou ainda são relativas às doenças orgânicas. A diferenciação entre cada caso nem sempre é facilmente identificada, desta forma, a base da relação médico-paciente pode auxiliar o diagnóstico final”, destaca.

Empresas mais preparadas

Atualmente, as empresas passaram a entender melhor a doença e a lidar com os funcionários que convivem com ela. O ponto mais importante diz respeito à criação de um ambiente de trabalho saudável. A Medicina Ocupacional deve incentivar o empregador à investir em programas de qualidade de vida, à realizar atividades físicas e a criar  ferramentas para denunciar os abusos. Estas são apenas algumas das ferramentas que podem ser usadas para criar um bom clima organizacional. Patrícia Padilha, diretora de Recursos Humanos do Círculo, destaca que a empresa investe em ações que promovam o bem estar físico, psíquico, emocional e espiritual através do PCQV (Programa Círculo Qualidade de Vida), que tem como objetivos estabelecer programas de saúde e bem-estar alinhados ao perfil epidemiológico dos funcionários do Círculo, bem como propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para a realização do trabalho.

Você sabia?

- O primeiro registro de serviço de Medicina do Trabalho no mundo foi em 1830, com a iniciativa do empresário do setor têxtil Robert Dernham, que, na época da Revolução Industrial Inglesa, colocou seu médico pessoal dentro da fábrica para verificar o efeito do trabalho sobre as pessoas e estabelecer as formas de prevenção de acidentes e doenças.

- Esse modelo se expandiu rapidamente por outros países, paralelamente ao processo de industrialização. O crescimento das indústrias resultou no aumento do número de trabalhadores urbanos, o que, consequentemente, trouxe novas preocupações para o governo em relação à saúde desta população. 

- No Brasil, essa preocupação surge no país, em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, com ela, as primeiras referências à higiene e à segurança no trabalho.

- Atualmente, há cerca de 14 mil médicos registrados em Conselhos da categoria ocupacional, de acordo com dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

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