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27/06/2019

O momento é de desconfigurar-se e reaprender

O crescimento e o desenvolvimento linear transformam-se em ritmo exponencial que muito  os desafia como profissionais e seres humanos. Vivemos um momento de grandes transformações no mundo dos negócios com o avanço da tecnologia - Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Indústria 4.0... A cada dia, e de forma muito rápida, surgem novas possibilidades, tendências e necessidades. Foi inspirada nessas transformações que a ARH Serrana definiu o mote do 11º Fórum de Gestão de Pessoas, que ocorre dia 11 de setembro, no UCS Teatro, em Caxias do Sul. Desconfigure-se!  Ou seja, o Fórum será uma oportunidade de desaprender para reaprender novas formas de trabalhar, crescer, se relacionar. “Diante desse cenário de mudanças, temos as pessoas que são o centro desse movimento, sejam elas construtoras de inovação ou impactadas por elas. Então entendemos que o momento é de investir nesse novo mindset. Por isso propomos, através do “desconfigure-se”, a abordagem de temas que promovam conexões, aprendizados e inovações”, observa Patricia Eloisa Rech, vice-presidente de Desenvolvimento da ARH Serrana.

O Fórum de Gestão de Pessoas chega a sua 11ª edição explorando temas relevantes e acelerando discussões acerca dos desafios e rumos, não só para área de gestão de pessoas, mas para vários outros segmentos profissionais. A partir de 2017, passou a ser realizado no UCS Teatro, atendendo à necessidade de ampliar o espaço para o público, que cresce a cada ano. “O evento é direcionado a líderes e profissionais de todas as áreas que estejam em busca de desenvolvimento para os novos cenários”, diz Patricia, adiantando que o Fórum deste ano terá a apresentação de palestrantes e cases abrangendo diferentes enfoques de atuação, pensando desde a transformação no ambiente de negócios até reflexões acerca das posturas profissionais e pessoais que essa transformação exige de cada um. Entre os palestrantes estão Paulo WalendorŸ, gerente de Pessoas e Cultura do Agibank, premiado no ranking do Grupo Amanhã de Empresas Inovadoras, que abordará o assunto Liderança e Equipes, e Cassio Grinberg, consultor estratégico e autor do livro Desaprenda: como se abrir para o novo pode nos levar mais longe, que trará o assunto Cultura da Mudança.

Além da diversidade de palestras, o Fórum 2019 promoverá espaços de networking, informações sobre serviços e fornecedores, atividades de descontração e muito mais. “É uma grande oportunidade de conferir como grandes corporações estão conduzindo suas ações nesse contexto de mudanças, inovações, transformações. Um espaço para participar das reflexões e provocações com profissionais estudiosos dos novos cenários, descobrir possibilidades de nos reinventarmos para atuar de forma assertiva diante de tantos desafios”, convida Patricia.

“Desaprender é essencial para configurar novas realidades”

Cassio Grinberg é um consultor estratégico que tem o propósito de fazer as empresas e marcas liderarem com longevidade. Formado no ecossistema de inovação de Israel pelo Ministry of Foreign Aairs, é mestre em Marketing pelo PPGA/UFRGS e especialista em International Business na London City College. Criador de cursos de pós-graduação ligados à construção de marcas na PUC/RS, onde lecionou por 15 anos, é ex-skatista, pai de gêmeos, escritor e palestrante. É dele o livro Desaprenda: como se abrir para o novo pode nos levar mais longe, mesmo tema da palestra que apresentará no Fórum de Gestão de Pessoas ARH Serrana. Será a primeira vez que Grinberg participará do evento, pelo qual nutre grande respeito. “Estou muito feliz pelo convite e pela oportunidade que terei de compartilhar reflexões ligadas ao exercício da autocrítica sobre o quanto a gente pensa que sabe e o quanto temos que sair um pouco da defensiva para se dispor a aprender coisas novas. Isso vale para a maneira como a gente contrata, motiva e se relaciona com as pessoas...”, comenta. Na entrevista a seguir, concedida com exclusividade à ARH em Revista, Grinberg fala um pouco sobre a velocidade das coisas e o que vai abordar em sua palestra.

ARH em Revista: Qual o tema que você vai explorar no 11º Fórum de Gestão de Pessoas? Como  relacioná-lo ao atual momento de mudanças por que passam profissionais de RH e de outros segmentos?

Cassio Grinberg: Será “Desaprender”, título do meu livro e conteúdo da palestra. Desaprender é um movimento que precisa ser feito incrementalmente. A gente precisa aos poucos, em várias situações do nosso dia a dia, esvaziar a caixa para entrar coisas novas. Estamos muito acostumados a aprender, colocar mais e mais informações para dentro. Eu proponho que a gente desaprenda algumas coisas, esvazie um pouco essa caixa, para ganhar liberdade de movimento. Como as crianças de três, quatro anos de idade, que ganham da gente no Jogo da Memória. Elas têm a caixa bem mais vazia e a agilidade de pensamento. Desaprender significa muito “não ter certezas”, e falar de incertezas e poder conviver com incertezas não só é uma necessidade, mas uma realidade nos dias de hoje. Temos de estar dispostos a conviver não tendo informações certas sobre algumas coisas. Vou abordar também formas diferentes de aprender, sair um pouco do quadrado e aprender com novas formas, não apenas consultando o Google. Sobre a importância de “ser água”, exemplo que o Bruce Lee usava para sugerir formas líquidas, e não sólidas, de se moldar diante das adversidades. Vou falar um pouco sobre David Bowie, usando a importância de se renovar mesmo quando as vendas estão em alta, aliás, principalmente quando estão em alta. Mudar o time quando se está ganhando é válido sim, não só quando está perdendo. Esta é uma releitura que faço de um ditado popular - inclusive falo da importância de não se prender a ditados e ensinamentos prontos, e sim de abrir o próprio caminho, do seu jeito.

ARH em Revista: Qual a sua interpretação sobre as transformações atuais, velocidade das coisas, tecnologia, exponencialização?

Grinberg: A exponencialização é inevitável, a tecnologia nos leva a isso. O que é preciso é uma reflexão sobre como é importante uma base construída para poder exponencializar. Não vamos esquecer que uma fórmula exponencial é constituída da base e do expoente, então se a gente não tem base a gente não exponencializa nada. Há uma tendência muito grande de buscar a exponencialização de forma muito rápida, mas ela só vai existir se a base for sólida. Ter a base sólida significa beber um pouco do passado, colocar o passado na mesa, ver o que precisa ser desaprendido desse passado, ver o quanto foi construído a partir daí e, depois sim, buscar essa aceleração, esse crescimento. Falo no meu livro que exponencializar também tem muito a ver com continuar, e continuar às vezes é uma dificuldade porque a gente busca muitas vezes resultados prontos, rápidos, sem se dar conta de que temos uma estrada a percorrer. Muitas vezes algumas empresas não dão certo, ou não exponencializam, porque o empreendedor desiste por não conseguir ver o final da estrada. Mas a hora em que estamos mais cansados é justamente a hora de acelerar, e o sucesso, nesse caso da exponencialização, pode estar ali depois da curva.

ARH em Revista: O tema do Fórum de Gestão de Pessoas deste ano é “Desconfigure-se”, muito  próximo do conceito que você trabalha, que é o de “desaprender”. Como você os relaciona?

Grinberg: O mote do evento é ótimo, tem muito a ver com o “desaprender”. Ou seja, te desfaz das tuas certezas e começa a arranjar informações novas; faz uma autocrítica da tua realidade a partir daí, passe a fazer exercícios diários de “desconfigurar-se”. Há exercícios muito simples o nosso dia a dia que têm a ver com adquirir novas ferramentas de pensamentos. No meu livro eu sugiro 10 microatitudes que ajudam a desaprender, como dar uma caminhada, fazer um pouquinho de meditação, anotar os pensamentos, caminhar pra trás, escovar os dentes com mão inversa, trocar o lugar de se sentar à mesa, viajar...Tudo isso é essencial para configurar novas realidades e voltar com novas visões além do seu umbigo.

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