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06/07/2019

Levando trabalho pra casa

Como a cultura do home office e da jornada flexível tem mudado os modelos tradicionais

Flexibilização de horário, trabalho remoto, home office, part-time, flex place... esses modelos e trabalho têm ganhado cada vez mais atenção dos profissionais de Recursos Humanos por estarem mudando a cultura do cumprimento de jornadas e a relação entre colaboradores e empresas. Na verdade, essas práticas não são novidades, mas nos últimos anos o avanço da tecnologia permitiu um aumento considerável de organizações aderindo a elas. Cada vez mais empresas diversificam seus regimes de trabalho nas funções que permitem tais mudanças, se adaptando inclusive a demandas como a mobilidade dos funcionários em grandes centros urbanos.

Ações simples nesse sentido, por exemplo, mas que representam grandes vantagens: ganha pontos a empresa que oferece horários flexíveis de entrada e saída para que os funcionários escapem do rush no trânsito. Pesquisa recente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que 73% dos trabalhadores brasileiros gostariam de ter mais flexibilidade em seus trabalhos. De acordo com o levantamento, sete em cada dez brasileiros gostariam de ter horários mais flexíveis em sua jornada, mas apenas 56% possui essa possibilidade atualmente em suas empresas. Para que o modelo seja produtivo, a empresa precisa verificar e estudar como poderá ser o trabalho flexível de cada funcionário de acordo com seu cargo e funções.

Tudo pode ser adaptado de acordo com a rotina do profissional: reuniões presenciais podem ser realizadas, alguns dias, à distância, por exemplo. Para que a prática funcione bem, é papel da organização e de seus líderes deixar bem alinhado com funcionários projetos, tarefas e prazos e nunca deixar de acompanhar os profissionais, mesmo que à distância. Afinal, o trabalho não muda, o que muda é o formato. A fixação da jornada flexível ou móvel vai depender também da atividade da empresa, pois há atividades em que a liberdade de horário pode prejudicar o andamento da produção, a prestação de serviços ou do atendimento ao cliente.

Home o­ffice

Fugir da rotina tradicional em uma organização faz com que os profissionais tenham mais tempo para investir em qualidade de vida e na resolução de assuntos pessoais. Ou seja, a iniciativa tem o poder de melhorar a produtividade e a motivação de funcionários de uma empresa, mas deve sempre ser acordada entre o colaborador e seu gestor, de acordo com suas responsabilidades e funções. Entre os modelos de flexibilização de horários de trabalho mais eficientes está o home office, por ser capaz de gerar mais produtividade e satisfação do funcionário, diminuir as intensas taxas de rotatividade e otimizar o orçamento da companhia. Alguns gestores manifestam desconforto com a ideia do home office, pois acreditam que é muito fácil perder a gerência sobre os colaboradores e, consequentemente, o controle das atividades. No entanto, é aí que entra um setor fundamental da empresa que deve trabalhar em total sintonia com os demais, o da tecnologia da informação (TI). A tecnologia abriu novas portas para essa modalidade, com diversas ferramentas que, se bem utilizadas, possibilitam que o home office se transforme em uma verdadeira extensão da empresa.  Através de chats, plataformas e programas de vídeo conferência é possível entrar em contato com o colaborador a qualquer momento, além de realizar reuniões e até treinamentos à distância.

Disciplina e planejamento

“Disciplina, planejamento e administração do tempo são as palavras de ordem para tudo funcionar bem nas jornadas de home office e de horário flexível. Respeitar os horários de início e de término do expediente são fundamentais”. O alerta é da Gerente de Negócios da Edenred, Mircéia Cunha, que trabalha com esse modelo há cerca de três anos e meio.  Responsável por atender a carteira de clientes e zelar pela rentabilidade do negócio, ela destaca muitos pontos positivos tanto para a empresa como para o funcionário, como não ter de deslocar-se até a empresa, flexibilidade no horário de trabalho, maior produtividade e concentração. “Mas ainda há uma falsa ideia de que se trabalha menos no home office do que dentro de uma empresa. No entanto, a probabilidade é de trabalharmos muito mais, por isso respeitar os horários é fundamental. Eu estruturei meu escritório em um cômodo de minha casa, escolhi um local silencioso e bem iluminado para trabalhar, e quando entro no meu escritório é como se estivesse entrando na empresa”, comenta.

Ela ressalta que o home office não significa necessariamente trabalhar em casa. Trata-se de um trabalho remoto, ou seja, pode ser feito em hotéis, cafeterias, aeroportos entre outros locais. “O home office faz parte da cultura da Edenred, e isso é muito importante para o sucesso do modelo. A empresa disponibiliza inúmeras ferramentas de comunicação, treinamentos, videoconferências, mantemos contato constante com nossos colegas e superiores. Existe muita troca de informações e não nos sentimos sozinhos. E esse suporte também é muito importante”, finaliza.

Muitos outros grandes grupos passaram a oferecer o modelo de home office a seus colaboradores, entre eles Roche Farma América Latina, Unilever e Bosch América Latina

Saiba mais

  • Horário flexível consiste em permitir que funcionários tenham mais liberdade na escolha de seu expediente: desde a hora em que começarão a trabalhar até o local em que farão suas atividades. A iniciativa segue a premissa de que existem horas a serem cumpridas diariamente, mas sem especificação de horário e lugar.
  • Acordo com os trabalhadores e sindicatos são muito importantes quando o assunto é flexibilização do horário de trabalho. Antes de permitir que os colaboradores escolham a própria jornada de trabalho, no entanto, a organização precisa analisar qual será o impacto da iniciativa no negócio, e o que a legislação trabalhista prevê para cada caso.
  • Pesquisa feita pelo MindMetre Research a pedido do International Workplace Group (IWG) com 18 mil pessoas, em 96 países, constatou que mais de dois terços dos executivos trabalham de forma remota ao menos uma vez por semana em todo o mundo, principalmente em ambientes de trabalho e em empresas que se permitem o avanço da tecnologia.
  • Segundo levantamento da IWG, 77% dos brasileiros entrevistados afirmam que o home office oferece maior qualidade de vida aos funcionários. Na pesquisa da Randstad, 90% dos entrevistados dizem que gostam de trabalhar de modo mais flexível, pois assim conseguem manter um equilíbrio maior entre trabalho e vida pessoal.

Considere!

  • Se por um lado o trabalho remoto é capaz de otimizar o orçamento da companhia, especialmente com relação aos custos do aluguel, por outro o trabalho remoto pode sobrecarregar o colaborador, que precisa arcar com gastos como energia, luz, telefone e, dependendo do caso até equipamentos. Para evitar problemas e desgastes, o ideal é que a empresa possua um protocolo de regras com relação ao trabalho remoto, estabelecendo responsabilidades sobre os gastos.
  • Algumas empresas oferecem treinamentos, equipamentos e até uma ajuda de custo no caso do trabalho remoto. Outras não oferecem contrapartida, pois já consideram o home office uma espécie de benefício. De toda forma, é fundamental estabelecer diretrizes claras entre empregadores e empregados.
  • Para o controle de horário, embora esteja fora do escritório é preciso que o funcionário registre sua jornada. A empresa pode instituir um ponto externo ou dar a possibilidade de marcar as horas trabalhadas posteriormente, no retorno a empresa, mesmo que, na prática, o controle seja feito por projetos ou metas.
  • Não há nenhum dispositivo nas leis trabalhistas que preveja uma jornada de trabalho flexível. Isso faz parte de um acordo direto entre o empregador e o empregado, que permite cumprir a jornada contratual fora dos horários previamente estabelecidos. Porém, essa modalidade laboral tem seus prós e contras. A CLT autoriza esse ajuste de salário e horas, com a expressa anuência do empregado e sua prévia ciência da jornada a ser trabalhada.
  • Já no contrato de trabalho intermitente, diferentemente da jornada flexível, o empregado é contratado para trabalhar em períodos alternados, seja em horas, dias ou meses, dependendo da exigência da atividade. O trabalho intermitente foi conceituado pela Lei 13.467/2017, encontrando-se previsto no artigo 443, §3º da CLT.
  • Várias empresas já constataram que a liberdade no cumprimento da jornada pode ser compensada com o cumprimento de metas mais arrojadas e com o atingimento de melhores resultados, tornando um ambiente mais propício ao crescimento, já que a liberdade de horário proporciona um sentimento de maior responsabilidade por parte dos empregados.

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