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10/12/2019

Business Partner - Além da Gestão de Pessoas

Deter o conhecimento sobre os processos de gestão de pessoas e, ao mesmo tempo, dos negócios. Elaborar estratégias de alinhamento entre os dois focos e gerar resultados mais eficientes para a organização. Essas são definições que resumem muito o universo profissional de um Business Partner (BP), termo que a cada dia ganha mais atenção dos profissionais de Recursos Humanos e das organizações onde estão inseridos.

O dinamismo do mercado e a assertividade nas decisões e no desenvolvimento de estratégias estão cada vez mais requisitando a presença de uma figura-chave nas empresas e organizações, e é justamente essa a figura do Business Partner (BP). Esse conceito que surgiu há mais de duas décadas só agora entrou no foco dos administradores porque o momento exige novos voos.

Considerando sua atuação estratégica no ambiente corporativo, o BP tornou-se uma função promissora para o RH moderno e um desafio valoroso para as lideranças. Afinal, sua função se resume a desenvolver e empregar práticas inovadoras na gestão de pessoas associadas diretamente aos negócios de uma organização. Mestre em Business Intelligence para Gestão de Pessoas, Ricardo Vignotto acredita que um dos maiores desafios de um BP é ter a capacidade de manter o equilíbrio nas relações entre especialistas de cada setor e executores dos processos para gerar a facilitação e o bom andamento da dinâmica empresarial. “Grande parcela do mercado segue com muitas dúvidas sobre qual é a real função de um Business Partner. Para termos essa resposta, é preciso retomar a relação entre pessoas e negócios para que seja possível visualizar a grandeza e importância deste papel na gestão de pessoas”, ensina o especialista. É por isso que a análise de treinamentos que devem ser aplicados a cada equipe para mensurar sua real relevância para os negócios organizacionais é das principais atribuições de um BP. “Com esse mesmo foco, o perfil de um Business Partner deve ser flexível o suficiente para transitar entre as áreas da empresa e o RH, checando eventuais falhas na liderança e promovendo ações de capacitação, coaching e orientação aos envolvidos, tornando possível a manutenção, ou mesmo atualização, das políticas organizacionais”, observa Vignotto.

“O conceito do BP é o de ser um agente parceiro do negócio, ou seja, que atua em conjunto com a liderança nas questões de gestão de pessoas. Ter um BP transforma o RH numa área estratégica que auxilia o líder na busca de resultados organizacionais através das pessoas”, destaca Andréia Guarnieri de Lourenço, coordenadora de Desenvolvimento Organizacional da SIM Rede de Postos. “Ou seja, torna o RH um agente de mudança e de resultado. Ainda estamos no início e tenho certeza que só colheremos ainda mais frutos positivos deste projeto”, conclui. Para Fernanda Pauletti Graeff, Gerente de Recursos Humanos da Kinghost (leia case abaixo), o modelo Business Partner na área de Recursos Humanos é abrangente a todo o time, não é apenas uma função. “O RH como parceiro do negócio integra um olhar de pessoas para a organização: as tomadas de decisões de negócio por todos os olhares retornam como resultados positivos para a organização”, salienta.

Conceito de alinhamento

A figura do Business Partner surge ainda nos anos 1980 para promover o alinhamento entre as necessidades da empresa e da gestão de pessoas da forma mais eficiente possível frente aos resultados esperados. Criado por David Ulrich, considerado um dos gurus da área de gestão de pessoas, teria uma função muito simples: aproximar o departamento de recursos humanos das áreas de negócios. No entanto, conceito de BP ainda causa confusão entre os profissionais de gestão de pessoas. Muitas empresas ainda não sabem exatamente qual o melhor perfil de profissional para executar a função e, muitas vezes, qual o papel exato que deve ser desempenhado por esse profissional. Ainda assim, especialistas concordam que a função do BP evoluiu nas últimas décadas em resposta ao aumento da preocupação dos CEOs em relação ao capital humano como fator determinante para o negócio. A função passou de uma atuação mais operacional a um trabalho mais direto com o negócio por meio de generalistas de RH nos anos 1990 e à criação e avanço da função do BP. Quando bem executado, o modelo agregaria valor à companhia. Um levantamento feito no ano passado pela consultoria global de benchmarking CEB indicou que organizações com parceiros de negócios eficientes reportam um aumento de até 10% na receita e um acréscimo médio de 9% no lucro.

O BP e suas funções

  • Capacitar: preparar a equipe para disseminar e aplicar as estratégias elaboradas é uma das ações que o Business Partner terá como papel essencial garantir o sucesso do projeto.
  • Realizar: é preciso ir além do que simplesmente desenvolver planos, mas sim colocá-los em prática, definindo cada ação necessária para que se concretizem.
  • Gerar satisfação: visar a promoção do equilíbrio empresarial e atender os diversos públicos de uma organização – investidores, consumidores e colaboradores – também é uma das funções do Business Partner.
  • Planejar: o Business Partner também é o principal responsável por elaborar um planejamento integrado capaz de alinhar o trabalho do RH ao plano empresarial, tornando os resultados positivos para todos.
  • Prever riscos: estar sempre alerta aos possíveis riscos de um projeto ou situação e analisar o impacto de ações isoladas na estratégia da empresa é mais uma das preocupações de um Business Partner.

Cases de Sucesso

SIM rede de postos

Andréia Guarnieri de Lourenço participa ativamente das atividades da ARH Serrana e atualmente integra o comitê temático do Encontro Sul-Americano de Recursos Humanos (ESARH). Coordenadora de Desenvolvimento Organizacional da SIM Rede de Postos, ela diz que a figura do BP foi inserida na empresa há pouco mais de quatro meses, depois de muitos estudos, benchmarking e ações de formação, paralelo a um diagnóstico da realidade organizacional e entendimento do que seria importante para a empresa. “A SIM é uma empresa com capilaridade, o que muitas vezes torna a comunicação e a manutenção da cultura mais complexa do que em uma empresa onde todas as pessoas ficam no mesmo ambiente. Elegemos então uma região e contratamos uma profissional que acreditasse no nosso projeto”, comenta Andreia. Mesmo em pouco tempo, os resultados surgiram: gestores percebendo que o RH se torna cada vez mais presente e parceiro de negócio. “Entendo que qualquer organização pode ter um modelo de BP implementado, porém isso precisa ser adequado à realidade de cada negócio e estrutura da empresa, e respeitando a cultura organizacional”, finaliza.

Kinghost

Presente no mercado desde 2006, a KingHost é uma das maiores empresas de Hospedagem de Sites do Brasil, com diversas soluções digitais para alavancar projetos na Internet. Entre seus produtos estão serviços de Hospedagem de Sites, E-mails, Cloud, Registro de Domínio, Email Marketing, Ferramenta de SEO, entre outros. A partir do segundo semestre de 2014, passou a implantar a “figura” do RH BP com o objetivo de aumentar as relações de confiança na empresa entre gestão e RH. Aos poucos, os resultados surgiram nas relações ganha-ganha, nas quais todos têm saldo positivo: colaboradores, gestores e sociedade. Fernanda Pauletti Graeff, gerente de Recursos Humanos da empresa, ministrou recentemente uma oficina na ARH Serrana sobre BP e sugere: “Ao planejar uma implantação de BP, todos os envolvidos devem estar confortáveis e acreditando no modelo. Muitas vezes podemos iniciar ações pré-implantação que tornará a aceitação no tempo de cada organização. A Kinghost inseriu esse conceito ao seu tempo, percebendo suas demandas com tempo, e isso contribui para o sucesso do modelo”, comenta Fernanda.

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