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26/03/2020

Inteligência Emocional e Inteligência Artificial: Integração Necessária

A todo o momento experimentamos sensações. Cada escolha, cada decisão, cada situação produz em nós emoções que podem interferir em nossas atitudes e no nosso desempenho. Dentro de uma empresa ou organização, saber administrar nossas habilidades sociais é essencial, afinal, estamos lidando com pessoas durante a maior parte do nosso dia. É aí que entra a Inteligência Emocional (IE) na Gestão de Pessoas, a capacidade de gerenciar uma equipe e organizar metas com sucesso colocando-se no lugar de outras pessoas, desenvolvendo suas habilidades e oferecendo feedback construtivo.

Por outro lado, a tecnologia nos apresenta desafios constantes e que precisam ser aceitos. Como exemplos podemos citar os processos de recrutamento e seleção. Como eles eram realizados há cinco anos? E como estarão sendo feitos em 2030? O que mudou, o que está mudando? Para responder a essas questões, é importante considerar alguns fundamentos, entre eles o conceito de Inteligência Artificial (IA). A Inteligência Artificial é o ramo da ciência da computação que elabora sistemas com a capacidade de raciocinar, mapear, tomar decisões e resolver problemas de forma “inteligente”. Ou seja, essas soluções conseguem aprender com dados externos e com o comportamento do próprio usuário e aumentar a capacidade de decisão do ser humano.

Então, como equilibrar Inteligência Emocional x Inteligência Artificial. Como aplicá-las no dia a dia de uma empresa ou instituição da maneira correta, na dose certa? Para responder a essas e a outras perguntas, a ARH em Revista conversou com Marcelo do Carmo Rodrigues, coordenador do EITRI Brazil (Emotional Intelligence for Training and Reseach Institute), um instituto que pesquisa a IE em organizações e atua em sua disseminação e aprendizagem. Há 20 anos, Marcelo desenvolve projetos de consultoria de desenvolvimento organizacional, implantação de gestão por processos e desenvolvimento e coaching de executivos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. Ele também é sócio, com Alessandra Gonzaga, da Conexão IE, empresa sediada em Porto Alegre especializada em serviços de avaliação, treinamento e coaching de IE.

Confira abaixo a entrevista exclusiva concedida à revista e, ao final, leia um artigo do entrevistado sobre o tema!

ARH em Revista: Como o senhor resume os conceitos de Inteligência Emocional e Inteligência Artificial?

Marcelo do Carmo Rodrigues: A Inteligência Artificial busca formas de reproduzir o raciocínio humano para a tomada de decisões complexas. A Inteligência Emocional tem a ver com o entendimento da linguagem e significado das emoções. As emoções contêm informações preciosas que explicam a forma com que nos comportamos e tomamos nossas decisões. Nesse sentido, IA e IE podem estar integradas se os modelos de inteligência artificial desenvolvidos puderem considerar em seus algoritmos informações coletadas sobre os estados emocionais associados ao contexto de tomada de decisão.

ARH em Revista: Quando esses conceitos começaram a ganhar força nas áreas de gestão de pessoas e recursos humanos? Há algum marco que assinale isso, algum case corporativo?

Rodrigues: Na área de recursos humanos, o conceito de IE saiu na frente e desde a década de 1990 é utilizado em seleção, treinamento e desenvolvimento de executivos, sendo amplamente estudado nas principais faculdades no mundo. Por exemplo, um dos modelos da Universidade de Harvard desenvolvido pelos professores Richard Boyatzis e Daniel Goleman, o ESCI – Emotional and Social Competence Invetory, que representamos aqui no Brasil, já foi aplicado a mais de 70 mil executivos no mundo. Nós mesmos já promovemos aplicações práticas em empresas de Caxias do Sul, por exemplo. A IA ainda se encontra mais na fase de business analytics, aplicada à identificação de padrões e comportamentos por meio do tratamento inteligente de grandes bases de dados. Há uma série de empresas de TI que aplicam essa abordagem no Brasil – sabemos disso porque algumas são nossos clientes. Mas existem soluções propostas por gigantes do mercado como IBM ou Ernest Young, voltadas para grandes organizações globais.

ARH em Revista: Futuro do trabalho depende da conexão e do alinhamento dessas inteligências? Como saber quando “aplicar” cada uma delas?

Rodrigues: A IE possui um leque de aplicações mais amplo: sempre que interações humanas estiverem em jogo na tomada de decisões complexas, conhecer a linguagem das emoções traz vantagens competitivas. Tudo o que se falava há 20 anos sobre dominar uma língua estrangeira como inglês ou alemão se aplica para o domínio da linguagem não-verbal das emoções, com uma vantagem: essa de fato é universal. Para o uso viável da IA, dados os valores de investimentos atuais, é necessário escala, grandes pacotes de dados ou um volume muito grande de interações automatizadas

ARH em Revista: Qual dessas inteligências exige mais atenção por parte dos gestores, ou isso depende de cada segmento?

Rodrigues: O Fórum Econômico Mundial disponibilizou em 2018 o resultado de uma pesquisa sobre o futuro do trabalho envolvendo 313 empresas globais que juntas representam 70% do PIB do planeta. A pesquisa envolve diversos setores, inclusive no Brasil. As pessoas geralmente tomam conhecimento de uma parte muito resumida dessa pesquisa associada às 10 competências do futuro. A pesquisa é muito mais abrangente e demonstra as projeções de deslocamento da fronteira homem-máquina, nesse caso relacionada à automação dos processos de forma mais ampla incluindo IA, e a introdução de novas tecnologias. De uma forma geral, todos os segmentos, com maior ou menor velocidade, estão embarcando nessa jornada sem volta que promove ganhos de competitividade e produtividade. Para os executivos entrevistados, IE continua a ser uma das 10 competências mais importantes para o futuro. Outra informação: até 2022, 85% das empresas entrevistadas estarão aplicando tecnologias associadas a big data analytics, base para a IA.

ARH em Revista: Você pode nos dar algumas dicas sobre como se beneficiar da IA e da IE?

Rodrigues: Mais ao nosso alcance está a IE, que podemos aplicar de forma imediata em nossas relações pessoais e profissionais. Conhecer os conceitos de IE é um bom início e temos constantemente ofertas de treinamento da Conexão IE junto ao parceiro ARH Serrana. Sobre IA, é importante acompanharmos o tema e participarmos sempre que possível de palestras, feiras e seminários que mostrem seu desdobramento no Brasil e no mundo. Se sua empresa trabalha com grandes números e depende mais intensamente de uso da tecnologia de informação, essa necessidade é mais urgente. Lá na década de 60, Gordon Earl Moore, co-fundador da Intel, cunhou um conceito que conhecemos como Lei de Moore, que estabelecia que a velocidade de processamento de informações pelos computadores dobraria a cada 18 meses. Não há como comprovar empiricamente essa informação, mas o que vemos é que a velocidade da mudança tem sido fantástica. Estejamos preparados, portanto!

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